AS ILHAS MARQUESAS

Me ocorria que talvez fosse mera antecipação imaginar o Arquipélago das Marquesas como uns dos últimos paraísos da Terra, afinal o esforço e tempo pra chegar até la teriam de ser de recompensados. Contribuíam com meu imaginário os livros lidos e relatos de amigos e outros velejadores.

Já se passou muito tempo desde que os europeus visitaram essas distantes ilhas pela primeira vez e se assombraram com a pureza, com o exotismo, beleza e exuberância deste local. Tempo suficiente para quase o levar a ruína completa. O isolamento e dificuldade de acesso  se encarregaram de preservar a natureza vibrante desta terra, mas as freqüentes visitas das tripulações de barcos baleeiros, com seus vícios, dogmas e doenças por pouco não destruíram a maior riqueza deste arquipélago, sua gente e sua cultura.

DSC04941menorAs Ilhas Marquesas são parte da Polinésia Francesa, um território francês com grande autonomia política, seu povo tem sua ascendência ligada aos outros povos da região (Tonga, Taiti, Samoa etc) entretanto a grande distância que separa este arquipélago dos outros e sua características geográficas únicas fizeram aqui se desenvolver a chamada cultura Marquesiana, com seu idioma, cultura e tradições característicos.

A silhueta ao longe da primeira ilha avistada, já nos dava um aperitivo do que viríamos  encontrar em breve. Enormes escarpas cobertas de verde, vales profundos e aves por todos os lados aumentavam a expectativa, o cenário de uma beleza irreal de nossa primeira ancoragem foi arrepiante, e a lembrança deste simples momento segue me arrepiando.  No entanto, foi em nosso desembarque e imediato contato com a população local que a noção que eu tinha anteriormente estava correta, todos os livros falavam a verdade afinal.

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Chegávamos em uma terra onde as pessoas tinham interesse genuíno e desinteressado em nossa presença, as crianças se alegravam  em nos mostrar um pouco de seu mundo e em conhecer um pouco do nosso. Frutas nos eram ofertadas diariamente, e sorrisos e cordialidade distribuídos em abundância.

O que vai permanecer na minha lembrança de Fatu Hiva, a primeira ilha que visitamos, é de estarmos sentados em um gramado, vendo a vida da pequena população acontecer, embarques e desembarques no portinho, as crianças brincando depois da escola, e os adultos jogando vôlei e petanque após o trabalho. Pra alguns pode parecer pouco,  mas  a sensação que eu tinha era que nada ali nos faltava. Tinha comida e água em abundância, uma comunidade unida e alegre, o melhor dos climas e um distanciamento suficiente das paranóias do mundo moderno.

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Deixamos Fatu Hiva após uma semana, abastecidos de água, frutas e emoção, descansados da travessia e já encantados com aquela cultura que acabávamos de conhecer. Fomos a Hiva Oa e ancoramos em Atuona, uma  das “grandes” cidades das Marquesas com exasperastes 2 mil habitantes e um jeitinho um pouco mais ocidental, ainda sim, reina a tranqüilidade, o sossego e a hospitalidade Polinésia.

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Perambulamos por algumas ancoragens, antes daquele que pra mim foi o mais marcante episódio de nossa estada nas Marquesas, e  enfim chegamos até a tranquilíssima Hanaiapa, um vilarejo situado na costa Norte da Ilha de Hiva Oa. Por lá enquanto fazíamos nossas tradicionais caminhadas exploratórias conhecemos um morador local, chamado Adam, se mostrou muito gentil e hospitaleiro, e se apresentou como o anfitrião dos velejadores naquela baía. De pronto Adam nos deu muitas frutas e nos convidou para jantar em sua casa.

Nas poucas horas de convívio em sua residência construída de maneira extremamente simples, pudemos apreciar e compreender um pouco daquele estilo de vida tão diferente dos nossos.  Adam nos disse que dormia poucas horas por dia, durante a manhã trabalhava como funcionário da prefeitura local, fazendo as obras que a comunidade necessitava, depois se dedicava aos cuidados da sua casa e seu vasto pomar, a noite saia pra caçar porcos selvagens cuja carne dividia com os vizinhos.

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No caminho de volta ao barco, descobrimos que nosso bote havia se soltado do píer e desaparecido, procuramos pro ele madrugada a fora, com ajuda do mesmo Adam, mas não tivemos sucesso. No dia seguinte, lambendo as feridas partimos, ficar em Hanaiapa  por mais tempo seria uma lembrança constante da desatenção que nos levou a perder nosso tão querido botinho.

Desbotados, chegamos a Nuku Hiva, a capital das Ilhas Marquesas, a ancoragem principal da ilha é vasta e linda, muitos barcos estavam ancorados e quase todos haviam atravessado o Pacífico nessa temporada, fico imaginando que grande impacto os velejadores tem sobre essa comunidade, pois são centenas de barco e provavelmente milhares de pessoas que passam ali todos os anos nos meses de Abril a Julho.

IMG_2286~photoA vida sem um bote limitou nossas possibilidades, então aproveitamos da maior estrutura oferecida em Nuku Hiva pra colocar algumas coisas em ordem, trabalhar nos vídeos, estudar as próximas etapas e caminhar pela pacata vizinhança. Fizemos tatuagens, provamos da culinária local e passamos a nos inteirar mais daquilo que de agora conhecemos como cultura Marquesiana.

 

 

 

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Compromissos diversos interromperam nossa passagem pelas Marquesas pois tínhamos de seguir ao Taiti, foi uma passagem breve, porem muito impactante, o mundo inteiro tem suas peculiaridades, porém as Ilhas Marquesas guardam em suas matas segredos de outros tempos, tradições e uma cordialidade que nem a cobiça, o vicio e arrogância do homem moderno conseguiram apagar. Nos fortes braços, pernas e torsos desses homens e mulheres são carregadas as tradições de um povo que se recusou a se deixar moldar, que estampa orgulho de sua origem na pele, literalmente.

Vida longa Marquesas, que você seja cada vez mais Pujante e que não mude nunca!

 

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Um comentário em “AS ILHAS MARQUESAS

  1. Que aventura shooooow, lugares lindo, PARABÉNS p vcs E valeu compartilhar com agente abraços

    D.Sc. Alessandra F. Fischer

    >•´¯`•¸.>´¯`•.¸>

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